Lusitana Sports · 2026

Os dados no futebol: o que é o xG e como ler as estatísticas do jogo

Análise · Lusitana Sports · 2026

Quem vê futebol na televisão em 2026 cruza-se inevitavelmente com siglas como xG, PPDA ou «posse no último terço». Os dados deixaram de ser curiosidade de analistas e passaram a fazer parte da linguagem do jogo. Este guia explica os conceitos principais, sem fórmulas complicadas.

A ideia central é simples: o resultado conta o que aconteceu; as estatísticas ajudam a perceber como aconteceu — e o que é provável que volte a acontecer.

xG: a probabilidade de cada remate

O expected goals, ou golos esperados, atribui a cada remate uma probabilidade de dar golo, calculada a partir de milhares de lances semelhantes: distância à baliza, ângulo, parte do corpo, tipo de passe que originou o lance. A escala vai de 0 a 1.

Algumas referências ajudam a calibrar: uma grande penalidade vale cerca de 0,77 xG; um remate à queima-roupa dentro da pequena área pode rondar 0,4; um pontapé de trinta metros, com barreira pelo meio, fica-se por 0,02 ou 0,03. Somando os valores de todos os remates de uma equipa, obtém-se o xG total do jogo.

O que o xG diz — e o que não diz

Se uma equipa termina um jogo com 1,9 xG contra 0,6 do adversário e perde por 1–0, os números sugerem que criou mais e melhores ocasiões. Ao longo de uma época, o xG acumulado costuma aproximar-se da realidade dos pontos: equipas consistentemente abaixo do seu xG tendem a recuperar, e o contrário também é verdade.

Mas o xG não mede contexto: não sabe se a equipa jogou com dez durante uma hora, nem distingue um remate ao lado de um defesa cortado em cima da linha. Modelos diferentes — Opta, StatsBomb e outros — também atribuem valores ligeiramente diferentes ao mesmo lance.

Outras métricas do dia a dia

MétricaO que medeComo ler
xGQualidade das ocasiões criadasComparar com golos marcados ao longo de vários jogos
xGAQualidade das ocasiões concedidasTermómetro da solidez defensiva
PPDAPasses adversários permitidos por ação defensivaQuanto mais baixo, mais intensa é a pressão
Posse no último terçoDomínio em zona de decisãoMais útil do que a posse de bola total
  • Olhar para tendências de cinco a dez jogos, não para um jogo isolado.
  • Cruzar sempre os números com as imagens: os dados levantam perguntas, o vídeo responde.
  • Desconfiar de comparações entre ligas com estilos muito diferentes.

Dos clubes aos adeptos

Nos clubes profissionais portugueses, os departamentos de análise tornaram-se estrutura permanente: recrutamento apoiado em dados, relatórios de adversário e monitorização física fazem parte do quotidiano. Para o adepto, o essencial é mais modesto — perceber que uma derrota com bom xG não é um desastre, e que uma série de vitórias com números fracos raramente dura para sempre.